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Campo Grande
19 de Outubro de 2019.

Meio Ambiente

Tecnologia inovadora em restauração florestal chega à bacia do Guariroba (MS)

Publicado em 10 de Maio de 2018

Finalista do Desafio Ambiental, o Nucleário será testado pela primeira vez no Cerrado com apoio do Programa Água Brasil e acompanhamento da UFMS

Pensado como um dispositivo para minimizar o trabalho de manutenção pós plantio e ao mesmo tempo aumentar a taxa de sucesso das mudas de restauração florestal, o Nucleário tinha a sua funcionalidade testada apenas na Mata Atlântica. Agora, graças ao Programa Água Brasil, a inovação será testada no Cerrado com produtores e trabalhadores rurais da bacia do Guariroba, aos arredores de Campo Grande (MS).

Fatores como desidratação, falta de nutrientes, herbívoros e matocompetição comprometem o desenvolvimento das mudas e da sucessão natural. Os desenvolvedores do produto explicam que “sua forma multifuncional possibilita o acúmulo de água da chuva, barreira física contra formigas cortadeiras e coroamento (capina ao redor das mudas) contra mato-competição”.

A tecnologia foi uma das iniciativas finalistas do Desafio Ambiental do WWF-Brasil. Como parte da premiação, um dos selecionados teria a sua tecnologia aplicada no Cerrado com o apoio da Fundação Banco do Brasil, da Agência Nacional de Águas e do Banco do Brasil, por meio do Programa Água Brasil.

A bacia escolhida foi a do Guariroba, no Mato Grosso do Sul, onde o Programa atua desde 2010, colaborando para a recuperação de 107 hectares de Área de Preservação Permanente (APP) nas sub-bacias do Guariroba e Saltinho. Desde 2016, o trabalho foi ampliado para toda a bacia do Guariroba (sub-bacias Tocos, Rondinha e Reservatório).

Nessa ação com o Nucleário, a proposta foi ainda mais robusta, pois, por se tratar de uma tecnologia nova, a eficiência do dispositivo será acompanhada por um programa de iniciação científica do curso de Botânica da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS).

Letícia Couto Garcia, professora adjunta da UFMS e que lidera esse experimento por parte da Universidade, comenta que pelo diferencial que o produto apresenta, é esperado que as mudas que receberão o dispositivo terão um melhor desenvolvimento de biomassa, altura e diâmetro da copa.

A professora explica também que o experimento será feito apenas em mudas de baru por meio de três tipos de situações: manejo tradicional, aplicação do nucleário e aplicação de protótipo de papelão (“caixa de pizza”) para testar o controle da braquiária.

Quatro propriedades parceiras da área de preservação ambiental (APA) do Guariroba foram selecionadas e, juntas, receberam 90 protótipos do dispositivo, distribuídos em uma área total de 12 hectares.

“A partir da implantação dos nucleários na APA do Guariroba, esperamos conseguir validar a tecnologia de acúmulo de água, coroamento permanente e barreira contra formigas cortadeiras. Em parceria com a UFMS, vamos gerar dados estatísticos sobre a eficácia do produto em campo. Testar nosso produto no bioma Cerrado é uma oportunidade única para expandirmos o horizonte de atuação do nucleário e entender como ele reage à diferentes intempéries”, explicam Bruno Rutman Pagnoncelli e Pedro Rutman Pagnoncelli, fundadores do Nucleário.

O baru
Segundo o “Manual Tecnológico de Aproveitamento Integral do Fruto do Baru”, do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), “o baru ou cumbaru é o fruto do baruzeiro, imperiosa árvore nativa do Cerrado brasileiro. Esta planta imponente, com copa densa, pode alcançar mais de 20 metros de altura e seu tronco chega até 70 cm de diâmetro. O seu fruto é protegido por uma dura casca e, no interior, encontra-se uma amêndoa de sabor parecido com o do amendoim, de alto valor nutricional e muito apreciada. O fruto pode ser utilizado integralmente, resultando em polpas de fruta, óleos, farinha, manteiga e tortas. A ele são associadas propriedades afrodisíacas. Também são conferidas ao óleo de baru propriedades medicinais antirreumáticas. ”

Programa Água Brasil
Parceria do Banco do Brasil com o WWF-Brasil, a Agência Nacional de Águas e a Fundação Banco do Brasil, o Programa existe desde 2010 e vem buscando aumentar a quantidade e melhorar a qualidade das águas do Brasil por meio do trabalho em bacias estratégicas, além do fomento à economia verde e à ecoeficiência.
No Guariroba, o PAB atua em parceria com o Programa Manancial Vivo, desenvolvido pela Prefeitura Municipal de Campo Grande, em que o produtor inscrito realiza ações de conservação em sua propriedade que geram serviços ambientais na região, e é reconhecido como Produtor de Água, recebendo Pagamentos por Serviços Ambientais.

Desafio Ambiental
O Desafio Ambiental: empreendedorismo e inovação em restauração florestal foi uma ação do WWF-Brasil que buscou promover, reconhecer e apoiar iniciativas inovadoras, projetos ou startups que geram um impacto positivo no âmbito da restauração florestal no Brasil. O concurso aconteceu em parceria com Impact HUB, Sebrae e Ministério do Meio Ambiente.

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