Dia do Cerrado: restauração transforma áreas e protege a água na APA do Guariroba
Publicado em 11 de Setembro de 2026
Com produtores rurais e instituições, ARCP Guariroba promove ações de restauração que, somente no ciclo 2025-2026, alcançaram mais de 50 hectares e utilizaram cerca de 24,5 mil mudas e 3,7 toneladas de sementes nativas
Dia do Cerrado: restauração transforma áreas e protege a água na APA do GuarirobaAssociação de Restauração, Conservação e Preservação de produtores de água da Bacia do Guariroba.
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ARCP Guariroba
Celebrado em 11 de setembro, o Dia do Cerrado é uma oportunidade para reconhecer a importância de um dos biomas mais ricos em biodiversidade do Brasil e, principalmente, reforçar a responsabilidade de protegê-lo. Na Área de Proteção Ambiental (APA) do Guariroba, em Campo Grande, conservar o Cerrado significa também proteger a água, a biodiversidade e a qualidade de vida das futuras gerações. A Associação de Recuperação, Conservação e Proteção da Bacia do Guariroba (ARCP Guariroba) desenvolve, ao longo dos anos, um trabalho de restauração ambiental baseado na união entre produtores rurais, instituições, poder público, organizações ambientais e parceiros técnicos.
Os resultados mais recentes mostram a dimensão desse esforço. Apenas no ciclo de plantio 2025-2026, a ARCP Guariroba, em parceria com a +AÇÃO Ambiental, realizou intervenções em mais de 50 hectares, distribuídos em sete propriedades rurais na APA do Guariroba. De acordo com o diretor da +AÇÃO Ambiental, Walter Thaler, foram utilizadas diferentes técnicas de restauração, escolhidas de acordo com as características e necessidades de cada área. "Fizemos plantio direto de mudas, enriquecimento, adensamento populacional e semeadura de sementes nativas por meio da técnica de muvuca", explica. Os números revelam a diversidade e a dimensão das ações realizadas. Ao longo do ciclo, foram plantadas aproximadamente 24,5 mil mudas e 3,7 toneladas de sementes nativas, reunindo cerca de 50 espécies do Cerrado.
A técnica da muvuca, que utiliza uma mistura de sementes de espécies nativas para promover a regeneração da vegetação, vem sendo empregada como uma das estratégias de restauração na APA. Ao lado do plantio de mudas, do enriquecimento e do adensamento, a técnica amplia as possibilidades de recuperação de áreas degradadas e contribui para o estabelecimento de uma vegetação mais diversa. O trabalho de restauração não termina com o plantio. Durante o ciclo 2025-2026, também foram realizadas revisitas e ações de manutenção em áreas que já haviam recebido intervenções e ainda necessitavam de cuidados, o que permite acompanhar a evolução dos plantios e realizar os cuidados necessários para favorecer a recuperação ambiental. Além dos resultados ambientais, as ações também movimentam uma rede de pessoas envolvidas diretamente com a restauração, desde produtores e parceiros até mobilizadores e trabalhadores ligados à produção e ao plantio de mudas e sementes. "É o Cerrado vivo e sendo transformado um pouquinho de cada vez", resume Walter.
Para o presidente da ARCP Guariroba, Claudinei Menezes Pecois, a recuperação ambiental realizada na APA demonstra que a conservação e a produção rural podem caminhar lado a lado quando existe compromisso e parceria. "O Dia do Cerrado é uma oportunidade para lembrarmos que preservar esse bioma significa também cuidar da água e da qualidade de vida das futuras gerações. Na APA do Guariroba, a ARCP vem construindo, ao longo dos anos, uma história de união entre produtores rurais, instituições e parceiros", afirma. Segundo Claudinei, mais importante do que os números é acompanhar a transformação das áreas que antes estavam degradadas e que hoje voltam a cumprir sua função ambiental. "Mais do que os números, o que nos orgulha é ver áreas que antes estavam degradadas novamente protegidas e cumprindo sua função ambiental. Esse resultado mostra que produção rural e conservação podem caminhar juntas quando existe compromisso e parceria."
Já a vice-presidente da ARCP Guariroba, Cristina Possari Lemos, destaca que os avanços são resultado de uma construção coletiva, que reúne diferentes setores em torno de um objetivo comum: recuperar o Cerrado e proteger os recursos naturais. "Celebrar o Dia do Cerrado é reconhecer a riqueza que temos e, principalmente, a responsabilidade de conservá-la. O trabalho desenvolvido na APA do Guariroba demonstra a força das parcerias", afirma. Para Cristina, a restauração vem incorporando novas técnicas e fortalecendo também a valorização das sementes nativas. "Hoje, além do plantio de mudas, avançamos com técnicas como a muvuca e o enriquecimento com espécies nativas, fortalecendo também a coleta e o uso de sementes do nosso Cerrado. Cada área recuperada representa um passo importante para garantir água, biodiversidade e um Cerrado vivo para as próximas gerações."
O Cerrado e a água
No Dia do Cerrado, o biólogo Henrique Folly, destaca a importância do segundo maior bioma do Brasil. Localizado na região centro-leste da América do Sul, o Cerrado ocupa aproximadamente 2,5 milhões de quilômetros quadrados, cerca de um quarto do território do país. Entre campos, savanas, matas e veredas, centenas de espécies animais e vegetais vivem no bioma, sendo um dos ambientes mais biodiversos do planeta. De acordo com o biólogo, o Cerrado é também fundamental para a água. "Suas nascentes e rios alimentam importantes bacias hidrográficas brasileiras e sua vegetação contribui para a infiltração da água no solo e para a manutenção dos recursos hídricos. Além disso, o Cerrado é também território e cultura. Povos indígenas, comunidades tradicionais, agricultores e moradores da cidade. Dependem de seus recursos e carregam conhecimentos construídos ao longo de gerações. Por isso, proteger o Cerrado significa proteger espécies, rios, paisagens, culturas e pessoas", explica Henrique.
A APA do Guariroba tem papel estratégico para Campo Grande por abrigar a bacia do Guariroba, importante manancial de abastecimento público. Nesse contexto, a recuperação da vegetação nativa contribui para a proteção das nascentes, dos cursos d’água, do solo e da biodiversidade. Cada área restaurada representa um passo na proteção desse patrimônio ambiental. O plantio de milhares de mudas, a utilização de toneladas de sementes nativas, a aplicação de diferentes técnicas e o acompanhamento das áreas mostram que a restauração é um processo contínuo, que exige conhecimento, planejamento e participação. Neste Dia do Cerrado, a experiência da APA do Guariroba reforça que preservar o Cerrado é proteger a água, fortalecer a biodiversidade e construir um futuro mais sustentável, que começa com ações realizadas hoje.